quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Se viva fosse, índia Macyrajara choraria um 'Rio Parnaíba" de desgosto com indiferença de gestores públicos com a Lagoa do Portinho






Apesar de estar novamente com bom volume de água, a mobilização de entidades da sociedade civil e órgãos públicos para a revitalização da Lagoa do Portinho não deve terminar, e deve ser constante e uma ação de todos os parnaibanos. Frequentada por milhares de pessoas no passado, o conhecido destino turístico parnaibano chegou a ficar praticamente desértico por conta de longos períodos de estiagem e, também, e muito, por irresponsáveis represamentos e desvios do rio Marruás/Portinho para a formação de barragens, como forma de entretenimento e negócios para empresários locais.


Todos esses fatores, somados com a insensibilidade de nossos governantes, levaram o Portinho a um estado deplorável, penalizando comerciantes, pescadores que sobreviviam do que era retirado do local e, ainda, causando espanto e tristeza a visitantes e moradores da região que por lá aportavam à procura de lazer.
Diante desse cenário, um grupo de parnaibanos se mobilizou para tentar salvá-la, entre eles o aguerrido advogado Tibério Nunes, incansável na mobilização de gestores públicos (que pouco ou quase nada fizeram de fato para mudar a realidade do Portinho), ONG´s, estudantes, empresários e pessoas interessadas em seu renascimento.
O advogado me relatou que um dos principais fatores que contribuíram para o esvaziamento do Portinho foi a construção de barragens em fazendas próximas no leito do rio Marruás, que represam e desviam a água das chuvas que sempre alimentaram a lagoa.
Levamos o que estava acontecendo com a Lagoa do Portinho para o conhecimento de vários órgãos públicos, mas sempre notamos o pouco interesse para o caso. Daí percebemos que nossa luta para salvar o Portinho seria mais árdua, mas sempre acreditamos que não seria em vão. Mobilizamos a imprensa, estudantes, moradores e todos os que amavam e queriam ver nossa lagoa viva e com sua beleza plena. Também pensamos naquelas famílias de pescadores que sempre tiraram seu sustento de lá", relata.
No dia 01 de abril de 2018, com um drone, fora possível visualizar o grande volume de águas represadas em uma das barragens da região (no leito do Rio Marruás). Após conversas com o proprietário da área, o advogado conseguiu convencê-lo a liberar a água retida para a lagoa. "O bom período de chuvas na região do litoral piauiense e a retirada da barragem do dendê, do leito do rio Marruás, propiciaram uma nova vida ao lugar. Mais água para a revitalização da lagoa", comemora Tibério Nunes.
Falando sobre o tema com o advogado, fiz o seguinte comentário, em tom de brincadeira: "Tibério, se a índia Macyrajara chorou dia e noite pela morte do seu amado, então, nessa situação do Portinho, ela morreria desidratada e de vergonha com a falta de boa vontade de nossos gestores públicos com um dos mais belos cartões-postais de Parnaíba e do Piauí". 
Para quem não sabe, há uma lenda sobre a origem da Lagoa do Portinho. De tanto chorar a morte de seu amado Ubitã, por conta de desentendimento de tribos rivais, as lágrimas da linda jovem índia tremembé Macyrajara, depois de muitos dias de pranto, ajudaram a formar a belíssima lagoa parnaibana.




E de tão dramática, a seca da Lagoa do Portinho ganhou até repercussão nacional em conhecida revista de fotografia, no talentoso olhar do parnaibano Adriano Carvalho, que fez um ensaio sobre o assunto.
Fonte: peagabe
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