Férias no litoral: saiba como aproveitar o clima praiano sem riscos para a saúde

 


Inúmeras famílias piauienses aproveitam a chegada do período de férias escolares para realizar viagens para praias e destinos litorâneos. Contudo, com o fim do período chuvoso e o início de condições climáticas excepcionais como o El Niño, acende-se um alerta na população em torno de fatores como a hidratação e o grau de exposição solar. A partir do final desse mês até o início de 2027, deve ocorrer um aumento notável nas temperaturas, redução da umidade do ar e diminuição das chuvas, segundo apontamento da Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos, da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh).


Dentro dessas condições, quem vai aproveitar o descanso da rotina para sentir a brisa, tomar um banho de mar, pegar um bronze ou praticar esportes, deve tomar precauções com a insolação e desidratação. “É importante, principalmente para os pais que vão com os filhos, evitar a exposição ao sol entre os horários de 10h às 16h. Outros hábitos que não devem ser ignorados são a aplicação do protetor solar FPS 30 ou superior, hidratação regular, utilização de chapéus, roupas com proteção UV e óculos de sol”, explica a médica dermatologista e professora da Afya Parnaíba, Ana Paula Pierre.


A insolação é ocasionada principalmente devido ao excesso de exposição ao sol e ao calor intenso, impedindo o nosso corpo de transpirar e se resfriar naturalmente, fazendo a temperatura corporal ultrapassar os 40 ºC. Aliado a esse quadro vem a desidratação, que é a perda excessiva de água e sais minerais, como sódio e potássio.


Essas condições, que já podem ser fatais, agravam-se em pessoas com problemas no coração. A médica cardiologista da Afya Parnaíba, Bethania Holanda, esclarece: “A desidratação reduz o volume de sangue circulante e o coração tenta compensar aumentando a frequência (ocasionando episódios de taquicardia). Em quadros de insolação, o paciente cardiovascular pode apresentar confusão mental, pressão muito baixa, pulso rápido e fraco, arritmias e colapso circulatório”. 


É fundamental aproveitar as belas paisagens, maresia e, principalmente, o frescor dos nossos mares e rios; contudo, os especialistas chamam a atenção para a necessidade de não subjugar as condições climáticas características do nosso estado. Segundo a médica dermatologista, a exposição excessiva pode causar queimaduras solares, envelhecimento precoce da pele, manchas, danos aos olhos e aumento do risco de câncer de pele. 


Alguns hábitos podem ser fator decisivo nesses períodos de grande calor e aumento da temperatura, principalmente em ambientes litorâneos, como a preferência por roupas leves e claras, ambientes sombreados e ventilados, redução de esforço físico intenso e moderação no consumo de álcool e cafeína. A atenção a essas medidas deve ser redobrada em crianças, idosos e pessoas que fazem uso de múltiplos medicamentos simultaneamente.


*Sintomas iniciais e primeiros socorros*


Em longos períodos de exposição ao sol ou falta de hidratação adequada, alguns sinais podem chamar a atenção como sintomas iniciais de insolação. A condição pode começar com dor de cabeça, tontura, fraqueza, cansaço intenso, náuseas e pele fria e pegajosa. Em casos mais graves, podem surgir confusão mental, sonolência, vômitos e até perda da consciência.


A atuação médica é indispensável e necessária, sendo ideal a busca por um pronto atendimento o mais rápido possível. Em caso de necessidade de primeiros socorros, a médica cardiologista Bethania Holanda, recomenda: “Inicialmente, o mais importante é tirar a pessoa do calor, levá-la para um local fresco e à sombra, deitá-la com as pernas levemente elevadas, retirar o excesso de roupa e iniciar o resfriamento (panos úmidos, ventilação, compressas frias em axilas, virilha e pescoço). Se estiver consciente e lúcida, oferecer água ou solução de reidratação aos goles”, pontua.


Muito além dos cuidados contra a insolação e a desidratação, as pessoas com problemas cardiovasculares necessitam também de atenção quanto ao uso de medicamentos, principalmente se tratando de remédios como diuréticos (favorecem a perda de líquidos), betabloqueadores (limitam a resposta de aceleração do coração), anti-hipertensivos (potencializam quedas de pressão) e antidepressivos (reduzem a sudorese e a percepção de calor).

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