
Foto: Reprodução/TV Cidade Verde
O treinador de futebol Natanael de Moraes foi condenado, nesta terça-feira (7), a mais de 103 anos de prisão por crimes de violência sexual contra 11 adolescentes em Parnaíba. O réu, que já está preso preventivamente desde maio de 2025, cumprirá a pena em regime fechado e não poderá recorrer em liberdade.
Os crimes aconteceram entre os anos de 2014 e 2023. De acordo com a denúncia, Natanael de Moraes se aproveitava de cargos de autoridade em diversas equipes de futebol e futsal da cidade, além de ser pastor de uma igreja evangélica, para cometer os abusos sexuais contra as vítimas. Leia também: Treinador de futebol é preso suspeito de cometer crimes sexuais com jovens no Piauí; teria feito 12 vítimas
Conforme o processo, o réu se aproveitava de jovens em situação de vulnerabilidade emocional, especialmente aqueles que não tinham uma figura paterna, oferecendo falsas promessas de sucesso no futebol. Ao mesmo tempo, ele praticava o "estelionato espiritual", distorcendo trechos da Bíblia para se colocar como um "pai espiritual" que exigia obediência das vítimas.
Em seus depoimentos, as vítimas relataram que Natanael de Moraes as levava até sua casa sob o pretexto de realizar sessões secretas de aconselhamento religioso, que chamava de "discipulado". Em outras ocasiões, ele juntava as camas de solteiro durante os pernoites dos atletas para tocá-los enquanto dormiam.
Além disso, o ex-treinador também exigia que os adolescentes enviassem fotos e vídeos nus, usando a desculpa de que os arquivos serviam para "avaliação física esportiva".
Na sentença, o juiz Willmann Izac Ramos Santos, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Parnaíba, destacou que as vítimas prestaram depoimentos semelhantes e detalhados sobre como Natanael agia, ao rechaçar a tese da defesa do réu de que os jovens tenham se juntado para inventar as denúncias.
“Tal padrão de conduta não apenas confere credibilidade recíproca aos relatos, como esvazia por completo a tese de conluio aventada pelo acusado. É de todo inverossímil que onze pessoas, sem qualquer vínculo entre si além da convivência esportiva e religiosa com o denunciado, tenham inventado, de forma independente, os mesmos detalhes minuciosos de sua conduta criminosa”, frisou o magistrado.
Ao todo, Natanael de Moraes foi condenado a 103 anos e 5 meses de prisão em regime inicialmente fechado, pelos crimes de importunação sexual, violação sexual mediante fraude e produção/posse de material pornográfico infantojuvenil. Além disso, o réu deverá pagar indenizações por danos morais às vítimas, no valor de R$ 15 mil para oito dos jovens e R$ 5 mil para os outros três.
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